Psalmus, LXII, II-III, IV-V, VI-VII, IX-X (R. II)
I.
R. Sitivit in te anima mea. (Psalmus LXII, II)
R. A minha alma tem sede de Ti. Ela anseia pela Fonte que precede toda manifestação e conduz o ser à sua verdadeira plenitude. (Salmo 62,2)
II. Deus, Deus meus, ad te de luce vigilo. Sitivit in te anima mea, quam multipliciter tibi caro mea. (Psalmus LXII, II)
2. Ó Deus, Tu és o meu Deus. Desde o romper da aurora volto-me para Ti. Minha alma tem sede de Ti e todo o meu ser anseia pela plenitude que silenciosamente o sustenta desde sua origem. (Salmo 62,2)
III. In terra deserta, et inuia, et inaquosa, sic in sancto apparui tibi, ut viderem virtutem tuam, et gloriam tuam. (Psalmus LXII, III)
3. Em terra deserta, árida e sem água, volto meu olhar para Ti no santuário, para contemplar tua força e tua glória. O aparente vazio torna-se lugar onde a interioridade aprende a reconhecer a presença que jamais se ausenta. (Salmo 62,3)
R. Sitivit in te anima mea.
R. A minha alma tem sede de Ti. Ela encontra repouso somente na Presença que dá sentido a toda existência.
II.
IV. Quoniam melior est misericordia tua super vitas, labia mea laudabunt te. (Psalmus LXII, IV)
4. Tua misericórdia vale mais do que toda vida passageira. Por isso, meus lábios elevam continuamente o louvor. O coração descobre que somente o eterno possui consistência que jamais se dissolve. (Salmo 62,4)
V. Sic benedicam te in vita mea, et in nomine tuo levabo manus meas. (Psalmus LXII, V)
5. Assim Te bendirei durante toda a minha vida, e em teu Nome elevarei minhas mãos. Toda a existência encontra sua verdadeira direção quando se abre àquele que a conduz desde o mais profundo de seu ser. (Salmo 62,5)
VI. Sicut adipe et pinguedine repleatur anima mea, et labiis exsultationis laudabit os meum. (Psalmus LXII, VI)
6. Minha alma será saciada como por abundante alimento, e meus lábios cantarão com alegria. A plenitude que procede do Alto alimenta o espírito com uma fecundidade que nenhuma realidade passageira pode oferecer. (Salmo 62,6)
R. Sitivit in te anima mea.
R. A minha alma tem sede de Ti. Somente em Ti o desejo encontra sua perfeita realização.
III.
VIII. Quia fuisti adiutor meus, et in velamento alarum tuarum exsultabo. (Psalmus LXII, VIII)
8. Tu foste sempre meu auxílio, e à sombra de tuas asas exulto de alegria. Aquele que permanece sustentado pela Presença atravessa toda noite conservando a serenidade do coração. (Salmo 62,8)
IX. Adhaesit anima mea post te; me suscepit dextera tua. (Psalmus LXII, IX)
9. Minha alma permanece unida a Ti, e tua destra me sustenta. Quando o ser se une Àquele que é sua origem, descobre uma estabilidade que nenhuma mudança pode desfazer. (Salmo 62,9)
R. Sitivit in te anima mea.
R. A minha alma tem sede de Ti. Em Ti encontra a origem, o caminho e a plenitude de sua existência.
Reflexão
A sede mais profunda não nasce da falta, mas da vocação inscrita no íntimo do ser.
Toda busca autêntica amadurece antes de alcançar sua manifestação.
O silêncio prepara a capacidade de reconhecer a verdadeira presença.
A fidelidade perseverante conduz o coração a uma serenidade que não depende das circunstâncias.
A alma que permanece voltada para o Alto encontra unidade em meio às mudanças do mundo.
A plenitude não surge repentinamente, pois cresce discretamente na interioridade.
A comunhão com o Eterno ilumina cada instante e confere sentido ao caminho.
Assim, toda a existência torna-se um contínuo retorno à origem da qual jamais esteve separada.
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