Psalmus responsorius, Deuteronomium XXXII, XVIII–XXI
I. Deum qui te genuit dereliquisti, et oblitus es Domini creatoris tui. (Psalmus XXXII, XVIII)
18. Abandonaste o Deus que te gerou e esqueceste o Senhor, teu Criador. Quando a criatura se afasta de sua origem, perde interiormente a direção que conduz à plenitude do próprio ser. (Salmo 32, 18)
Vidit Dominus, et ad iracundiam concitatus est, quia provocaverunt eum filii sui et filiæ. (Psalmus XXXII, XIX)
19. O Senhor viu e se indignou, porque seus filhos e suas filhas o provocaram. O olhar divino alcança aquilo que permanece oculto na interioridade e revela a ruptura entre a origem eterna e a orientação passageira do coração. (Salmo 32, 19)
R. Numquid non ipse est pater tuus, qui possedit te, et fecit, et creavit te? (Psalmus XXXII, VI)
R. Não é ele o teu Pai, que te possuiu, te fez e te criou? (Salmo 32, 6)
II. Et ait, Abscondam faciem meam ab eis, et considerabo novissima eorum, generatio enim perversa est, et infideles filii. (Psalmus XXXII, XX)
20. E disse o Senhor, ocultarei deles a minha face e contemplarei o seu fim, porque esta geração se desviou e seus filhos são infiéis. Quando o ser perde sua orientação originária, também seu horizonte último se torna obscurecido. (Salmo 32, 20)
Ipsi me provocaverunt in eo qui non erat Deus, et irritaverunt in vanitatibus suis, et ego provocabo eos in eo qui non est populus, et in gente stulta irritabo illos. (Psalmus XXXII, XXI)
21. Eles me provocaram por aquilo que não era Deus e me irritaram com suas vaidades. Por isso, eu os provocarei por aquilo que não reconhecem e os confrontarei com sua própria insensatez, para que percebam a distância entre aquilo que passa e aquilo que verdadeiramente permanece. (Salmo 32, 21)
R. Numquid non ipse est pater tuus, qui possedit te, et fecit, et creavit te? (Psalmus XXXII, VI)
R. Não é ele o teu Pai, que te possuiu, te fez e te criou? (Salmo 32, 6)
Reflexão
A criatura encontra sua verdade quando reconhece a origem que sustenta seu próprio ser.
O esquecimento de Deus começa quando o transitório ocupa o centro da consciência.
A existência conserva sua direção quando permanece interiormente voltada para sua origem.
O instante presente pode revelar a distância entre aquilo que passa e aquilo que permanece.
A consciência amadurece quando reconhece que sua origem não está em si mesma.
Aquilo que parece dispersão pode tornar-se ocasião de retorno ao fundamento do ser.
O olhar de Deus alcança o interior e chama a existência novamente à sua unidade.
Assim, o presente se abre à eternidade quando a criatura reconhece o Criador como sua origem e seu fim.
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