Psalmus LXXIII (LXXIV), I-IV. V-VII. XX-XXI (R. XIXb)
R. Pauper et inops laudabunt nomen tuum. (Psalmus LXXIII, XIXb)
R. O pobre e o necessitado louvarão o teu nome, reconhecendo que toda existência encontra sustento naquilo que não se corrompe nem se perde no fluxo do tempo visível. (Salmo 73,19b)
I
Ut quid Deus repulisti in finem, iratus est furor tuus super oves pascuae tuae. (Psalmus LXXIII, I)
1 Por que, ó Deus, parece o abandono aos olhos da criatura, quando na verdade toda história permanece sob um desígnio que ultrapassa a compreensão imediata e sustenta o que parece perdido? (Salmo 73,1)
II
Memor esto congregationis tuae, quam possedisti ab initio. (Psalmus LXXIII, II)
2 Recorda-te, ó alma, que nada foi esquecido na origem, pois tudo permanece inscrito na memória eterna que conserva cada ser na sua profundidade invisível. (Salmo 73,2)
R. Pauper et inops laudabunt nomen tuum. (Psalmus LXXIII, XIXb)
R. O pobre e o necessitado louvarão o teu nome, pois mesmo na aparente ausência, a presença que sustenta todas as coisas permanece fiel e silenciosa. (Salmo 73,19b)
III
Leva manus tuas in superbias eorum in finem; quanta malignatus est inimicus in sancto! (Psalmus LXXIII, III)
3 Eleva o olhar interior diante daquilo que se exalta contra a ordem verdadeira, pois nenhuma realidade permanece fora do alcance da justiça que sustenta o ser em sua profundidade. (Salmo 73,3)
IV
Et gloriati sunt qui oderunt te in medio solemnitatis tuae; posuerunt signa sua signa. (Psalmus LXXIII, IV)
4 Aqueles que se afastam da verdade aparentam domínio, mas tudo o que é transitório não possui consistência diante da realidade que permanece além das aparências. (Salmo 73,4)
R. Pauper et inops laudabunt nomen tuum. (Psalmus LXXIII, XIXb)
R. O pobre e o necessitado louvarão o teu nome, pois mesmo na escuridão aparente, a luz interior continua a sustentar silenciosamente toda existência. (Salmo 73,19b)
V
Exsurge Deus, judica causam tuam; memor esto improperiorum tuorum, quae ab insipiente sunt tota die. (Psalmus LXXIII, V)
5 Levanta-te, ó alma, para compreender que a justiça verdadeira não se perde no tempo, mas permanece viva como ordem profunda que sustenta toda realidade. (Salmo 73,5)
VI
Ne obliviscaris voces inimicorum tuorum; superbia eorum qui te oderunt ascendit semper. (Psalmus LXXIII, VI)
6 Nada se perde na memória da realidade última, pois até aquilo que parece oposto encontra-se contido sob um horizonte maior que integra todas as coisas. (Salmo 73,6)
VII
A finibus sanctuarii tui, quasi in silva lignorum, securibus exciderunt ianuas eius in idipsum. (Psalmus LXXIII, VII)
7 Mesmo quando a ordem visível parece ferida, permanece uma profundidade inviolável onde tudo encontra sua raiz e seu princípio mais elevado. (Salmo 73,7)
R. Pauper et inops laudabunt nomen tuum. (Psalmus LXXIII, XIXb)
R. O pobre e o necessitado louvarão o teu nome, pois aquilo que é simples e despojado reconhece mais facilmente a presença que sustenta todas as coisas. (Salmo 73,19b)
XX
Respice in testamentum tuum; quia repleti sunt qui obscurati sunt terrae domorum iniquitatum. (Psalmus LXXIII, XX)
20 Olha para a aliança que sustenta a história, pois mesmo aquilo que parece obscurecido permanece dentro de uma ordem mais profunda que não se dissolve no tempo. (Salmo 73,20)
XXI
Ne avertatur humilis confusus; pauper et inops laudabunt nomen tuum. (Psalmus LXXIII, XXI)
21 Que o coração humilde não se perca na confusão das aparências, pois na essência mais profunda da existência permanece um louvor silencioso que sustenta tudo. (Salmo 73,21)
R. Pauper et inops laudabunt nomen tuum. (Psalmus LXXIII, XIXb)
R. O pobre e o necessitado louvarão o teu nome, pois na simplicidade interior a alma reconhece aquilo que permanece além de todas as mudanças do mundo. (Salmo 73,19b)
Reflexão
A realidade visível não esgota o mistério do ser.
Tudo o que parece fragmento permanece unido em uma ordem mais profunda.
A alma amadurece quando aprende a contemplar além das aparências imediatas.
Nada se perde na memória do princípio que sustenta todas as coisas.
A verdade não se impõe pelo ruído, mas pela permanência silenciosa.
O coração encontra estabilidade quando se ancora no que não se dissolve.
A história humana é atravessada por uma presença que não se interrompe.
E toda existência encontra repouso quando reconhece essa origem que permanece.
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