Psalmus CVI, II-IX
R. Confitemini Domino, quoniam bonus, quoniam in sæculum misericordia ejus. (Psalmus CVI, I)
R. Dai graças ao Senhor, porque ele é bom, porque eterna é a sua misericórdia. (Salmo 106, 1)
I.
II. Dicant qui redempti sunt a Domino, quos redemit de manu inimici, et de regionibus congregavit eos. (Psalmus CVI, II)
2. Digam aqueles que foram resgatados pelo Senhor, aqueles que ele redimiu da mão do inimigo e reuniu de todas as regiões. O ser, quando reencontra sua origem, percebe que sua existência não está dispersa no acaso, mas é continuamente reconduzida à unidade por aquele que a sustenta. (Salmo 106, 2)
III. A solis ortu, et occasu, ab aquilone, et mari. (Psalmus CVI, III)
3. Ele os reuniu desde o nascer e o pôr do sol, desde o norte e desde o mar. Toda dispersão encontra seu princípio de reunião, e aquilo que estava afastado retorna à unidade diante da presença que transcende a sucessão dos lugares e dos instantes. (Salmo 106, 3)
R. Confitemini Domino, quoniam bonus, quoniam in sæculum misericordia ejus. (Psalmus CVI, I)
R. Dai graças ao Senhor, porque ele é bom, porque eterna é a sua misericórdia. (Salmo 106, 1)
II.
IV. Erraverunt in solitudine, in inaquoso; viam civitatis habitaculi non invenerunt. (Psalmus CVI, IV)
4. Erravam pelo deserto, em terra sem água, sem encontrar o caminho da cidade onde pudessem habitar. Quando o ser se afasta de sua origem, experimenta a aridez da dispersão; mas mesmo no deserto permanece aberta a possibilidade de reencontrar a direção que conduz à morada da plenitude. (Salmo 106, 4)
V. Esurientes et sitientes, anima eorum in ipsis defecit. (Psalmus CVI, V)
5. Famintos e sedentos, sua alma desfalecia dentro deles. A fome mais profunda não pertence somente ao corpo, mas revela a insuficiência de uma existência que procura fora de si aquilo que somente uma realidade superior pode preencher. (Salmo 106, 5)
VI. Et clamaverunt ad Dominum cum tribularentur, et de necessitatibus eorum eripuit eos. (Psalmus CVI, VI)
6. Então clamaram ao Senhor em sua tribulação, e ele os livrou de suas necessidades. Quando a interioridade reconhece seus próprios limites e se abre àquele que a transcende, a existência encontra uma direção nova e recebe a possibilidade de sair da dispersão. (Salmo 106, 6)
VII. Et deduxit eos in viam rectam, ut irent in civitatem habitationis. (Psalmus CVI, VII)
7. Ele os conduziu pelo caminho reto, para que chegassem à cidade onde haveriam de habitar. O caminho verdadeiro não é apenas deslocamento exterior, mas ordenação interior do ser, que progressivamente reencontra sua finalidade e se aproxima da morada para a qual foi destinado. (Salmo 106, 7)
R. Confitemini Domino, quoniam bonus, quoniam in sæculum misericordia ejus. (Psalmus CVI, I)
R. Dai graças ao Senhor, porque ele é bom, porque eterna é a sua misericórdia. (Salmo 106, 1)
III.
VIII. Confiteantur Domino misericordiæ ejus, et mirabilia ejus filiis hominum. (Psalmus CVI, VIII)
8. Deem graças ao Senhor por sua misericórdia e por suas maravilhas em favor dos filhos dos homens. A gratidão nasce quando a consciência percebe que a existência é sustentada por uma presença que age silenciosamente e conduz o ser para além daquilo que ele poderia realizar apenas por suas próprias forças. (Salmo 106, 8)
IX. Quia satiavit animam inanem, et animam esurientem satiavit bonis. (Psalmus CVI, IX)
9. Porque saciou a alma vazia e encheu de bens a alma faminta. A plenitude não consiste em acumular exteriormente, mas em permitir que a interioridade seja preenchida por aquilo que corresponde à sua verdadeira origem e conduz o ser à realização de sua finalidade. (Salmo 106, 9)
R. Confitemini Domino, quoniam bonus, quoniam in sæculum misericordia ejus. (Psalmus CVI, I)
R. Dai graças ao Senhor, porque ele é bom, porque eterna é a sua misericórdia. (Salmo 106, 1)
Reflexão
O ser humano muitas vezes atravessa desertos interiores sem reconhecer a direção que permanece inscrita em sua origem.
A aridez não precisa constituir o fim da existência, pois pode tornar-se ocasião de reencontro com aquilo que verdadeiramente a sustenta.
Quando a alma reconhece sua insuficiência, abre-se à presença que ultrapassa todos os limites do instante.
O caminho reto nasce quando a interioridade recupera sua ordem e orienta conscientemente suas potências para um fim superior.
Cada instante pode tornar-se lugar de passagem entre aquilo que o ser recebeu e aquilo que ainda pode realizar.
A misericórdia divina não abandona o ser à dispersão, mas o reconduz silenciosamente à unidade de sua origem.
A alma que se deixa conduzir descobre que sua plenitude não está na posse, mas na conformidade com sua finalidade mais profunda.
E, quando a existência reencontra sua direção, o instante torna-se presença e a caminhada transforma-se em aproximação da plenitude.
Leia também:
#LiturgiaDaPalavra
#EvangelhoDoDia
#ReflexãoDoEvangelho
#IgrejaCatólica
#Homilia
#Orações
#Santo do dia






