Psalmus responsorius
Psalmus L (LI), XII-XIII, XIV-XV, XVIII-XIX
I
XII
Cor mundum crea in me, Deus, et spiritum rectum innova in visceribus meis. (Psalmus L, XII)
12. Criai em mim, ó Deus, um coração purificado e renovai em meu íntimo um espírito reto, para que meu ser reencontre sua unidade e se oriente para sua plenitude. (Salmo 50,12)
XIII
Ne proicias me a facie tua, et spiritum sanctum tuum ne auferas a me. (Psalmus L, XIII)
13. Não me afasteis de vossa presença, nem retireis de mim o vosso Espírito Santo, para que meu interior permaneça aberto à vossa presença e à realização que procede de vós. (Salmo 50,13)
R. Aspergam vos aqua munda, et mundabimini ab omnibus inquinamentis vestris. (Ezechiel XXXVI, XXV)
R. Derramarei sobre vós água pura, e sereis purificados de todas as vossas impurezas, para que a existência seja renovada desde sua profundidade. (Ezequiel 36,25)
II
XIV
Redde mihi laetitiam salutaris tui, et spiritu principali confirma me. (Psalmus L, XIV)
14. Restituí-me a alegria da vossa salvação e fortalecei-me com um espírito firme, para que minha existência permaneça orientada pela realidade superior que a conduz. (Salmo 50,14)
XV
Docebo iniquos vias tuas, et impii ad te convertentur. (Psalmus L, XV)
15. Ensinarei aos que se desviaram os vossos caminhos, e aqueles que se afastaram retornarão a vós, quando a verdade reencontrar lugar no centro de sua existência. (Salmo 50,15)
R. Aspergam vos aqua munda, et mundabimini ab omnibus inquinamentis vestris. (Ezechiel XXXVI, XXV)
R. Derramarei sobre vós água pura, e sereis purificados de todas as vossas impurezas, para que o ser retorne à pureza de sua origem. (Ezequiel 36,25)
III
XVIII
Quoniam si voluisses sacrificium, dedissem utique; holocaustis non delectaberis. (Psalmus L, XVIII)
18. Se quisésseis um sacrifício exterior, eu o ofereceria; mas não vos comprazeis somente em oferendas que permanecem fora do coração, porque buscais uma entrega que alcance o íntimo do ser. (Salmo 50,18)
XIX
Sacrificium Deo spiritus contribulatus; cor contritum et humiliatum, Deus, non despicies. (Psalmus L, XIX)
19. O verdadeiro sacrifício oferecido a Deus é um espírito rendido diante da verdade; um coração contrito e humilde não desprezareis, pois nele a existência se abre à transformação e à plenitude. (Salmo 50,19)
R. Aspergam vos aqua munda, et mundabimini ab omnibus inquinamentis vestris. (Ezechiel XXXVI, XXV)
R. Derramarei sobre vós água pura, e sereis purificados de todas as vossas impurezas, para que o interior renovado se torne morada de uma existência reconciliada com sua origem. (Ezequiel 36,25)
Reflexão
O coração renovado torna-se espaço interior para uma realidade que ultrapassa o instante imediato.
A purificação revela que o ser pode retornar à profundidade de sua origem.
A presença divina transforma o presente em abertura para uma realização mais elevada.
O espírito reto ordena interiormente a existência segundo sua finalidade superior.
A verdadeira oferta não permanece exterior, mas nasce do centro renovado da pessoa.
O coração contrito reconhece que sua plenitude não está em si mesmo.
Cada instante pode acolher uma realidade que já aponta para sua consumação.
Quando a interioridade se abre à presença divina, a existência começa a participar da plenitude eterna.
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