Psalmus Responsorius LXX, I-II.III-IVa.V-VIab.XVab et XVII
I
I. In te, Domine, speravi, non confundar in aeternum.
1. Em ti, Senhor, coloquei minha esperança; jamais serei confundido, porque em ti repousa a confiança que ultrapassa o instante e permanece. (Salmo 70, 1)
II. In justitia tua libera me, et eripe me: inclina ad me aurem tuam, et salva me.
2. Em tua justiça, livra-me e resgata-me; inclina para mim o teu ouvido e salva-me, acolhendo minha súplica na profundidade de tua presença. (Salmo 70, 2)
R. In te, Domine, speravi, non confundar in aeternum.
Em ti, Senhor, coloquei minha esperança; jamais serei confundido. (Salmo 70, 1)
II
III. Esto mihi in Deum protectorem, et in locum munitum, ut salvum me facias: quoniam firmamentum meum et refugium meum es tu.
3. Sê para mim Deus protetor e lugar seguro, para que me salves, pois tu és minha firmeza e meu refúgio, onde o ser encontra repouso em sua origem. (Salmo 70, 3)
IV. Deus meus, eripe me de manu peccatoris, de manu contra legem agentis, et iniqui.
4. Meu Deus, resgata-me das mãos do pecador, das mãos daquele que age contra a lei e do homem injusto; guarda-me para que eu permaneça unido à verdade. (Salmo 70, 4)
R. In te, Domine, speravi, non confundar in aeternum.
Em ti, Senhor, coloquei minha esperança; jamais serei confundido. (Salmo 70, 1)
III
V. Quoniam tu es patientia mea, Domine; Domine, spes mea a juventute mea.
5. Porque tu és minha perseverança, Senhor; Senhor, tu és minha esperança desde a minha juventude, sustentando em mim aquilo que amadurece sob tua presença. (Salmo 70, 5)
VI. In te confirmatus sum ex utero; de ventre matris meae tu es protector meus; in te cantatio mea semper.
6. Em ti fui firmado desde o ventre; desde o seio de minha mãe, tu és meu protetor; em ti estará sempre o meu canto, porque tua presença precede minha própria consciência de existir. (Salmo 70, 6)
R. In te, Domine, speravi, non confundar in aeternum.
Em ti, Senhor, coloquei minha esperança; jamais serei confundido. (Salmo 70, 1)
IV
XV. Os meum annuntiabit justitiam tuam, tota die salutare tuum, quem non cognovi litteraturam.
15. Minha boca anunciará tua justiça e, durante todo o dia, proclamará tua salvação, cuja profundidade não pode ser plenamente medida pelo conhecimento humano. (Salmo 70, 15)
XVII. Deus, docuisti me a juventute mea: et usque nunc pronuntiabo mirabilia tua.
17. Ó Deus, desde a minha juventude me ensinaste; e até agora anuncio tuas maravilhas, reconhecendo que cada instante de minha existência permanece aberto à ação de tua presença. (Salmo 70, 17)
R. In te, Domine, speravi, non confundar in aeternum.
Em ti, Senhor, coloquei minha esperança; jamais serei confundido. (Salmo 70, 1)
Reflexão:
A esperança não nasce da duração do tempo, mas da presença que sustenta o ser desde sua origem.
O instante torna-se profundo quando acolhe aquele que permanece além de toda sucessão.
Desde o ventre, a existência já se encontra envolvida por uma presença que a precede e sustenta.
A interioridade amadurece quando reconhece que seu fundamento não está em si mesma.
Cada momento pode tornar-se lugar de encontro com aquilo que permanece enquanto todas as formas passam.
A memória da origem impede que o presente se torne vazio ou separado de seu fundamento.
Aquele que permanece diante de Deus encontra na própria existência uma continuidade que conduz à plenitude.
E o canto nasce quando o ser reconhece, no interior do instante, a presença daquele que jamais o abandona.
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