Psalmus responsorius
Deuteronomium, XXXII, XXVI–XXVIIab, XXVIIcd–XXVIII, XXX, XXXVcd–XXXVIab
I
XXVI. Dixi: Ubinam sunt? Cessare faciam ex hominibus memoriam eorum.
26. Eu disse, Onde estão eles? Farei desaparecer dos homens a sua memória. Aquilo que parece permanecer definitivamente no curso do tempo pode, porém, revelar sua fragilidade quando confrontado com a realidade que transcende toda duração. (Salmo, 32, 26)
XXVIIab. Sed propter iram inimicorum distuli: ne forte superbirent hostes eorum.
27. Porém, por causa da ira dos inimigos, retardei o cumprimento, para que eles não se exaltassem. O tempo da manifestação permanece nas mãos daquele que conhece a medida de todas as coisas e conduz cada realidade ao momento em que sua verdade deve aparecer. (Salmo, 32, 27ab)
R. Ego occidam, et ego vivere faciam. (Psalmus, XXXII, XXXIXc)
R. Eu faço morrer e faço viver. (Salmo, 32, 39c)
II
XXVIIcd. Et dicerent: Manus nostra excelsa, et non Dominus, fecit hæc omnia.
XXVIII. Gens absque consilio est, et sine prudentia.
27. E diriam, Nossa própria mão se elevou, e não foi o Senhor quem realizou todas estas coisas. Quando a criatura transforma sua própria força em princípio absoluto, distancia-se da origem de onde recebeu o próprio ser e perde a percepção da medida que ordena sua existência. (Salmo, 32, 27cd)
28. É uma geração sem entendimento e sem prudência. Quando o ser permanece encerrado na aparência imediata das coisas, torna-se incapaz de contemplar a profundidade que sustenta aquilo que aparece e de reconhecer para onde sua existência está sendo conduzida. (Salmo, 32, 28)
R. Ego occidam, et ego vivere faciam. (Psalmus, XXXII, XXXIXc)
R. Eu faço morrer e faço viver. (Salmo, 32, 39c)
III
XXX. Quomodo persequatur unus mille, et duo fugent decem millia? Nonne ideo, quia Deus suus vendidit eos, et Dominus conclusit illos?
30. Como poderia um só perseguir mil, e dois fazer fugir dez mil? Não seria porque o seu Deus os entregou e o Senhor os encerrou? O poder visível das criaturas não contém em si mesmo sua medida definitiva, pois toda força permanece submetida Àquele que sustenta a realidade e determina o limite de cada existência. (Salmo, 32, 30)
R. Ego occidam, et ego vivere faciam. (Psalmus, XXXII, XXXIXc)
R. Eu faço morrer e faço viver. (Salmo, 32, 39c)
IV
XXXVcd. Mea est ultio, et ego retribuam in tempore, ut labatur pes eorum: juxta est dies perditionis, et adesse festinant tempora.
XXXVIab. Judicabit Dominus populum suum, et in servis suis miserebitur: videbit quod infirmata sit manus, et clausi quoque defecerunt, residuique consumpti sunt.
35. Minha é a justiça, e Eu retribuirei no tempo determinado, quando vacilar o passo daqueles que se afastaram da verdade. Aproxima-se o dia da ruína, e os tempos se apressam para sua realização. Aquilo que permanece oculto no decorrer dos acontecimentos caminha para o momento em que será plenamente revelado. (Salmo, 32, 35cd)
36. O Senhor julgará o seu povo e terá compaixão de seus servos. Ele verá quando a força humana estiver enfraquecida e quando até os seus apoios tiverem desaparecido. Então o ser descobrirá que nenhuma realidade passageira pode sustentar aquilo que somente o Eterno pode conservar. (Salmo, 32, 36ab)
R. Ego occidam, et ego vivere faciam. (Psalmus, XXXII, XXXIXc)
R. Eu faço morrer e faço viver. (Salmo, 32, 39c)
Reflexão
O ser humano atravessa os instantes sem alcançar imediatamente a profundidade de sua própria existência.
Aquilo que parece definitivo pode revelar-se passageiro diante daquele que permanece além de toda sucessão.
Toda força criada recebe sua possibilidade daquele que sustenta o próprio ser.
Quando a criatura atribui a si mesma sua origem, transforma capacidade recebida em aparência de absoluto.
O presente, porém, contém uma profundidade que ultrapassa sua duração e conduz a existência para além do instante.
Aquilo que permanece oculto encontra seu momento de manifestação quando a realidade alcança sua maturidade.
O ser reencontra sua ordem quando reconhece que sua origem e seu destino estão diante do Eterno.
E então compreende que somente Deus possui em si mesmo o poder de conduzir toda existência à sua plenitude.
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