Psalmus IX, VIII–XIII
Psalmus responsorius
I
VIII. Et Dominus in æternum permanet. Paravit in judicio thronum suum. (Psalmus IX, VIII)
8. O Senhor permanece eternamente e estabeleceu seu trono no juízo. Diante de sua presença, aquilo que passa encontra sua medida, e o instante se abre à realidade daquele que permanece. (Salmo 9,8)
IX. Et ipse judicabit orbem terræ in æquitate, judicabit populos in justitia. (Psalmus IX, IX)
9. Ele julgará o mundo com retidão e julgará os povos com justiça. Seu olhar penetra além das aparências e alcança a verdade profunda de cada existência, onde todas as coisas recebem sua justa medida. (Salmo 9,9)
R. Non dereliquisti quærentes te, Domine. (Psalmus IX, XI)
R. Vós nunca abandonais quem vos procura, ó Senhor. (Salmo 9,11)
II
X. Et factus est Dominus refugium pauperi, adjutor in opportunitatibus, in tribulatione. (Psalmus IX, X)
10. O Senhor tornou-se refúgio para o humilde e auxílio no momento oportuno, na tribulação. Quando as seguranças passageiras se desfazem, a alma encontra nele a morada interior onde recupera sua firmeza e retorna à profundidade de seu ser. (Salmo 9,10)
XI. Et sperent in te qui noverunt nomen tuum, quoniam non dereliquisti quærentes te, Domine. (Psalmus IX, XI)
11. Esperem em vós aqueles que conhecem vosso nome, porque não abandonais os que vos procuram, Senhor. Aquele que vos busca descobre que sua procura já acontece diante de uma presença que o sustenta e o conduz para além da instabilidade do instante. (Salmo 9,11)
R. Non dereliquisti quærentes te, Domine. (Psalmus IX, XI)
R. Vós nunca abandonais quem vos procura, ó Senhor. (Salmo 9,11)
III
XII. Psallite Domino qui habitat in Sion, annuntiate inter gentes studia ejus. (Psalmus IX, XII)
12. Cantai ao Senhor que habita em Sião e anunciai entre as nações suas maravilhas. Aquele que contempla suas obras reconhece que toda realidade criada procede de uma origem mais profunda e encontra nela o sinal de uma presença que permanece. (Salmo 9,12)
XIII. Quoniam requirens sanguinem eorum recordatus est, non est oblitus clamorem pauperum. (Psalmus IX, XIII)
13. Porque o Senhor se recorda do sangue derramado e não se esquece do clamor dos humildes. Nada desaparece diante de sua presença. Aquilo que parece perder-se na sucessão dos acontecimentos permanece conhecido por aquele que contempla cada existência em sua verdade mais profunda. (Salmo 9,13)
R. Non dereliquisti quærentes te, Domine. (Psalmus IX, XI)
R. Vós nunca abandonais quem vos procura, ó Senhor. (Salmo 9,11)
Reflexão
O Senhor permanece eternamente quando todas as coisas submetidas à passagem encontram seu limite.
A alma que o procura descobre que sua busca acontece diante daquele que já a sustenta em seu íntimo.
O refúgio divino não é apenas um lugar de proteção, mas uma presença na qual o ser reencontra sua unidade.
A tribulação pode tornar-se ocasião de aprofundamento quando o coração deixa de depender somente do que é passageiro.
Aquele que conhece o nome do Senhor aprende a reconhecer sua presença para além da aparência dos acontecimentos.
A esperança amadurece quando a alma compreende que nenhum instante está separado do olhar eterno de Deus.
O silêncio interior permite perceber que aquilo que parece distante pode estar profundamente presente no centro da existência.
Assim, quem procura o Senhor descobre que nunca esteve abandonado diante daquele que permanece.
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