Psalmus responsorius
Psalmus LXVIII, VIII-X. XIV. XVII. XXXIII-XXXV
I
VIII. Quia propter te sustinui opprobrium, operuit confusio faciem meam. (Psalmus LXVIII, VIII)
8. Porque, por amor de Ti, suportei o opróbrio, e a confusão cobriu o meu rosto, enquanto a alma permaneceu exposta ao mistério da fidelidade. (Salmo 68,8)
IX. Extraneus factus sum fratribus meis, et peregrinus filiis matris meæ. (Psalmus LXVIII, IX)
9. Tornei-me estranho para meus irmãos e peregrino para os filhos de minha mãe, como quem atravessa a noite buscando uma pátria mais alta do que o olhar humano. (Salmo 68,9)
X. Quoniam zelus domus tuæ comedit me, et opprobria exprobrantium tibi ceciderunt super me. (Psalmus LXVIII, X)
10. O zelo de tua casa me consumiu, e as afrontas dirigidas contra Ti recaíram sobre mim, como fogo interior que purifica o coração e o une ao que é eterno. (Salmo 68,10)
R. In multitudine misericordiæ tuæ exaudi me, Domine. (Psalmus LXVIII, XIV)
R. Na abundância de vossa misericórdia, ouvi-me, Senhor. (Salmo 68,14)
II
XIV. Ego vero orationem meam ad te, Domine: tempus beneplaciti, Deus. In multitudine misericordiæ tuæ exaudi me, in veritate salutis tuæ. (Psalmus LXVIII, XIV)
14. Eu, porém, elevo minha oração a Ti, Senhor, no tempo de tua benevolência, ó Deus. Na abundância de tua misericórdia, escuta-me, na verdade de tua salvação, que penetra as profundezas do ser e o reconduz à tua presença. (Salmo 68,14)
XVII. Exaudi me, Domine, quoniam benigna est misericordia tua. Secundum multitudinem miserationum tuarum respice in me. (Psalmus LXVIII, XVII)
17. Ouve-me, Senhor, porque é benigna a tua misericórdia. Segundo a imensidão de tuas compaixões, volta teu olhar para mim, e faze repousar a alma na firmeza do teu amor. (Salmo 68,17)
R. In multitudine misericordiæ tuæ exaudi me, Domine. (Psalmus LXVIII, XIV)
R. Na abundância de vossa misericórdia, ouvi-me, Senhor. (Salmo 68,14)
III
XXXIII. Videant pauperes, et lætentur. Quærite Deum, et vivet anima vestra. (Psalmus LXVIII, XXXIII)
33. Vejam os humildes e alegrem-se. Buscai a Deus, e a vossa alma viverá, pois só nEle a existência encontra sua fonte e sua medida plena. (Salmo 68,33)
XXXIV. Quoniam exaudivit pauperes Dominus, et vinctos suos non despexit. (Psalmus LXVIII, XXXIV)
34. Porque o Senhor ouviu os pobres e não desprezou os seus cativos, mas abriu-lhes um caminho interior de esperança, mesmo quando tudo parecia encerrado. (Salmo 68,34)
XXXV. Laudent illum cæli et terra, mare et omnia reptilia in eis. (Psalmus LXVIII, XXXV)
35. Louvem-no os céus e a terra, o mar e todos os seres que neles habitam, porque toda a criação se orienta para a glória dAquele que a sustenta no seu secreto fundamento. (Salmo 68,35)
R. In multitudine misericordiæ tuæ exaudi me, Domine. (Psalmus LXVIII, XIV)
R. Na abundância de vossa misericórdia, ouvi-me, Senhor. (Salmo 68,14)
Reflexão
A oração verdadeira nasce quando a alma aprende a atravessar o instante sem se perder nele.
O sofrimento purifica o olhar e revela o que permanece além das aparências.
A fidelidade interior cresce quando o coração se volta para o que não passa.
Nada do que é elevado se perde na noite, pois a luz secreta o conduz ao seu cumprimento.
A paz amadurece quando o espírito repousa na ordem invisível que sustenta todas as coisas.
A criatura encontra sua firmeza ao reconhecer que não foi feita para o ruído, mas para a presença.
A esperança torna-se mais pura quando já não depende das oscilações do mundo.
E a alma se eleva quando aprende a viver diante do Eterno, mesmo enquanto caminha entre sombras.
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