Psalmus responsorius
Psalmus LXVIII, XV–XVI, XXX–XXXI, XXXIII–XXXIV
Lectio Psalmorum secundum Bibliam Sacram juxta Vulgatam Clementinam
Psalmus LXVIII
I
XV. Eripe me de luto, ut non infigar; libera me ab iis qui oderunt me, et de profundis aquarum. (Psalmus LXVIII, XV)
15. Retira-me do lodo, para que eu não permaneça preso; salva-me daqueles que me odeiam e das profundezas das águas. O clamor da alma elevada ao Senhor nasce do desejo de ser retirada das sombras interiores e conduzida à firmeza da presença divina, onde o ser encontra sua verdadeira estabilidade. (Salmo 68,15)
XVI. Non me demergat tempestas aquae, neque absorbeat me profundum; neque urgeat super me puteus os suum. (Psalmus LXVIII, XVI)
16. Que a tempestade das águas não me submerja, nem o abismo me absorva, e que o poço não feche sobre mim a sua boca. A alma suplica para não ser vencida pelas forças desordenadas que afastam da luz, confiando naquele que sustenta todas as coisas e conduz silenciosamente cada existência ao seu destino eterno. (Salmo 68,16)
R. Salvum me fac, Deus, quoniam intraverunt aquae usque ad animam meam. (Psalmus LXVIII, II)
R. Salva-me, ó Deus, porque as águas chegaram até minha alma. (Salmo 68,2)
II
XXX. Ego vero sum pauper et dolens; salus tua, Deus, suscepit me. (Psalmus LXVIII, XXX)
30. Eu, porém, sou pobre e sofredor; a tua salvação, ó Deus, me acolheu. A pobreza interior daquele que se volta ao Senhor não é vazio, mas abertura para receber uma presença maior. A alma que reconhece sua dependência divina encontra repouso naquele que sustenta sua existência. (Salmo 68,30)
XXXI. Laudabo nomen Dei cum cantico, et magnificabo eum in laude. (Psalmus LXVIII, XXXI)
31. Louvarei o nome de Deus com um cântico e o engrandecerei com louvor. O louvor nasce quando o coração reconhece a origem eterna de todo bem e transforma a própria existência em resposta de gratidão diante daquele que permanece além de toda mudança. (Salmo 68,31)
R. Salvum me fac, Deus, quoniam intraverunt aquae usque ad animam meam. (Psalmus LXVIII, II)
R. Salva-me, ó Deus, porque as águas chegaram até minha alma. (Salmo 68,2)
III
XXXIII. Videant pauperes et laetentur; quaerite Deum, et vivet anima vestra. (Psalmus LXVIII, XXXIII)
33. Vejam os humildes e alegrem-se; buscai a Deus, e viverá a vossa alma. Aquele que procura o Senhor encontra uma vida que não depende apenas das realidades passageiras, pois a alma recebe uma força interior que nasce da comunhão com a fonte eterna de todo ser. (Salmo 68,33)
XXXIV. Quoniam exaudivit pauperes Dominus, et vinctos suos non despexit. (Psalmus LXVIII, XXXIV)
34. Porque o Senhor escutou os necessitados e não desprezou os seus que estavam aprisionados. Deus contempla o interior de cada criatura e acolhe aqueles que permanecem voltados para Ele, pois nenhuma condição humana está distante de sua presença que cura, sustenta e restaura. (Salmo 68,34)
R. Salvum me fac, Deus, quoniam intraverunt aquae usque ad animam meam. (Psalmus LXVIII, II)
R. Salva-me, ó Deus, porque as águas chegaram até minha alma. (Salmo 68,2)
Reflexão
A alma humana atravessa profundezas onde somente Deus pode oferecer verdadeira segurança.
O clamor do salmista revela o movimento interior daquele que busca retornar à fonte de sua existência.
As águas representam tudo aquilo que ameaça dissolver a serenidade do coração quando este se afasta da luz divina.
A presença do Senhor permanece como fundamento invisível que sustenta cada instante da caminhada humana.
O louvor transforma a fragilidade reconhecida em abertura para uma vida mais elevada e plena.
Quem procura Deus encontra uma realidade interior que não depende das mudanças exteriores.
A confiança no Senhor conduz a alma para uma união mais profunda com a verdade eterna.
Assim, toda existência acolhida por Deus encontra repouso na plenitude daquele que jamais abandona suas criaturas.
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